O castro dos vissaiegi
Os vestígios mais antigos de Viseu remontam aos séculos V e IV a.C. No morro onde hoje está a Sé havia um povoado fortificado com 6 a 12 hectares, consoante as estimativas, rodeado por um fosso escavado na rocha e por uma muralha de pedra.
As casas, de pedra, madeira e barro, eram quase todas redondas e cobertas de colmo; algumas apoiavam-se nos penedos. À volta delas, os vissaiegi, o povo que aqui vivia, escavaram na rocha dezenas de silos para guardar alimentos, e o fosso chegava aos três metros de profundidade. Para a época era um sítio grande, e mandava no território em volta.
Desta fase vêm duas joias de ouro encontradas em Viseu, uma lúnula e um torques, hoje no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa. Dominava-se então a roda de oleiro, o moinho circular, o vidro e, na ourivesaria, a filigrana e a soldadura.
As fontes antigas (Ápiano, Lívio em ecos posteriores) situam a guerra lusitana no século II a.C. Viriato emerge como estratega de guerrilha: conhecia o terreno, evitava batalhas frontais e forçava Roma a negociar. Foi assassinado cerca de 139 a.C., segundo a tradição, por companheiros subornados.
A Cava de Viriato é um octógono com mais de 30 hectares, oito taludes de terra e um fosso que chega aos 16 metros de largura. É tida como a maior construção em terra da Península Ibérica. Apesar do nome, não é obra de Viriato: as leituras mais recentes apontam para a primeira metade do século X. A estátua do guerreiro, de Mariano Benlliure, é de 1940.
- Lusitanos Povos pré-romanos do oeste peninsular; a Beira era zona de contacto e conflito.
- Porquê aqui? Planalto, vias naturais e a posição entre o Douro e o Mondego.
- O nome Vem deste povo: uma ara romana achada em 2009 é dedicada «às deusas e deuses vissaieigenses».
- Onde está o ouro A lúnula e o torques de Viseu pertencem à coleção do Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa. O museu está encerrado para obras; confirme a reabertura antes de planear uma visita.









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